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18/08/2014
MUDAR TAMANHO DA FONTE
Região do Vale do Itajaí registra 13 acidentes de trabalho por dia


Dois trabalhadores foram flagrados em uma janela sem equipamento de proteção nesta quinta-feira, em Itajaí

Eram 10h30min de quinta-feira quando dois homens apareceram na janela do 5º andar de um prédio na Rua Brusque, no Centro de Itajaí. Olharam de um lado para o outro à procura do lugar certo para executar o serviço. Um deles, sem equipamento de proteção, colocou quase o corpo todo do lado de fora da janela. O trabalho de risco durou 30 minutos. O mais irônico é que os dois instalavam uma cerca de segurança para evitar quedas.

Fatos como este são os que mais matam na construção civil no Estado, explica a auditora-fiscal do Ministério do Trabalho em Santa Catarina, Cristine Sodré Fortes. Em Blumenau, apenas em 2010, já foram registrados 4,7 mil acidentes de trabalho – média de 13 por dia, segundo o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest).
De acordo com o SINTRACOM em Concórdia, o número de acidentes de trabalho também é alto na cidade. “ Mesmo sem índices levantados, o número de pessoas que procuram o sindicato para denunciar o problemas é muito alto. Chamo a atenção para que as empresas e os trabalhadores valorizem a vida se precavendo de possíveis acidentes de trabalho. Por isso, as empresas devem fornecer equipamentos de proteção, condições de trabalho e treinamento aos trabalhadores. E aos os trabalhadores cabe o dever de cumprir com suas obrigações , usando corretamente os equipamentos de segurança e seus deveres quanto trabalhador ”, falou o Presidente do SINTACOM Vilmar Barro.

Nos atendimentos feitos em Blumenau, entre os tipos de acidente de trabalho, as quedas de altura só perdem em fatalidade para os acidentes de moto entre a casa e o emprego – média de três a cada dia, de acordo com o Cerest. Cristine acredita que, entre os fatores que originam as mortes na construção civil, sobressai a dificuldade que os trabalhadores têm de recorrer aos empregadores:

– Atualmente, notamos que as empresas terceirizam os serviços e muitas vezes os operários não sabem a quem solicitar providências quando necessário. Na maioria dos casos, os funcionários nem sequer recebem treinamento específico para se proteger.

Francisco Gilberto de Brito, coordenador do Cerest em Blumenau, alega que os empregadores devem fornecer equipamentos básicos de segurança e cobrar dos trabalhadores que os utilizem. Se o operário é negligente, a responsabilidade continua sendo da empresa que o contratou. Brito também ressalta que o Cerest está intensificando a fiscalização para evitar outras fatalidades:

– Vamos aos locais e verificamos qual é a estrutura de trabalho, o ambiente, os equipamentos de proteção e tudo aquilo que envolva a rotina do profissional.

Entre os dias 8 e 11 de novembro, três homens morreram ao cair de obras na Avenida Brasil, em Balneário Camboriú, e em Itajaí. Com a repercussão do caso, o Santa ouviu empresas, bombeiros, sindicatos laboral e patronal, que apontaram a utilização dos equipamentos de proteção como essenciais para evitar as mortes. O Ministério do Trabalho, responsável por vistoriar as obras, hoje tem dois fiscais para 51 municípios do Vale e Litoral Centro-Norte. Em todo o Estado, são 68.

Equipamentos de segurança
- Cinto de segurança
- Capacete
- Calçados de couro
- Óculos de proteção
- Protetor auditivo
- Uniforme

O Santa Noticiou
- No dia 12 de novembro, o Santa mostrou as mortes de Eleoterio Limas Filho, Helder Ribas e Marcelo Emílio. Os três operários da construção civil morreram em quatro dias
- Na edição de 13 e 14 de novembro, reportagem expôs a falta de fiscais no Vale do Itajaí e Litoral Centro-Norte
- No dia 18 de novembro, o Santa expôs flagrantes de operários expostos a riscos em obras - No dia 3 de dezembro, reportagem cobrou providências para o número reduzido de fiscais

Denuncie
- no site da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Santa Catarina, emwww.mte.gov.br/delegacia/sc
Diário Catarinense 10/12

Fonte: CONTICOM/SINTRACOM
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